Compreender como a história é feita constitui a fonte primordial para refletirmos, avaliarmos, distinguirmos sobre algo. Ou seja, por meio do entendimento do passado, podemos constituir novas percepções e interpretações críticas sobre o presente, assim como, opções e escolhas da prática social.
O livro Condição Pós Moderna de David Harvey nos traz algumas considerações acerca das mudanças estruturais promovidas por uma sociedade capitalista e seus reflexos no cotidiano, resultando numa sociedade denominada como pós- moderna.
A sociedade pós-moderna é gerida de acordo com as necessidades do trabalho, por meio da acumulação flexível, que promove um rápido giro da produção. O sujeito pós-moderno é atuante ativo da sociedade, onde o sucesso ou insucesso desta é consequência de suas ações. Diante disso, surgi a seguinte questão: Como garantir o sucesso da sociedade pós-moderna?
Os sujeitos são produzidos por meio dos discursos vigentes na sociedade, pelos sistemas de signos e imagens, manipulados pelos dispositivos do Estado. Tudo se torna efêmero e transitório, influenciando nos valores, estilos de vida, modos de agir e ser, relacionamentos, lugares, apego entre outros. Estes são dirigidos pelas estruturas e instituições sociais, decentralizadas, múltiplas, fragmentadas e instáveis.
As estruturas sociais atuam a partir da ideia de transitoriedade. Um sistema hoje poderá se considerado moderno e efetivo, mas amanhã poderá ser considerado rudimentar. Com efeito, aumenta-se o interesse do Estado pelas instituições básicas, como as escolas, a família, igrejas entre outros, a fim de manipular os gostos e opiniões das pessoas, possibilitando a dominação ou intervenção dos sistemas das estruturas sociais.
Conceitos como a volatilidade – a instabilidade das coisas, mudança decorrente – a efemeridade – as coisas são feitas para ser de curta duração ao mesmo tempo que cria a necessidade de ser assim, estimulando a troca e o ciclo de produção – a instantaneidade – tudo muito rápido e valorizamos essa rapidez – e a descartabilidade – realizar a troca, jogar fora - são abordados no livro como características muito presente do capitalismo.
O mercado de massa e a produção de imagens acerca das mercadorias, consideradas mais relevantes que a própria mercadoria, tornaram-se fundamentais no sistema capitalista. O ritmo acelerado de imagens expostas em todos os lugares que induzem ao desejo de se consumir acabam por acarretar a volatilidade. Por que volatilidade? Não teria palavra melhor já que as coisas mudam com uma velocidade impressionante e (para estarmos inseridos perante os olhos da sociedade) devemos mudar na mesma velocidade, ou seja, busco o prazer de ter algo, mas não me contento só com ele já que a mídia nos inspira a ter outros desejos, a moda do mercado de massa.
Isso quer dizer que aumentou o ritmo do consumo no que diz a roupas, alimentação, estilo de vida e até mesmo nos hábitos de lazer. Por exemplo, são impostas formas de roupas para um ou outro lugar, ou ainda a imagem de lugares de lazer me influencia a consumir/ir a esses lugares que são mostrados como ideais para mim pensados como uma forma de “controlar” gostos, preferências e pensamentos. Toda essa lógica interfere na sociedade, e inclusive nos jovens.
Nesta perspectiva, instigamos a vocês, leitores, a refletir como as mudanças e as características do capitalismo influenciam na cultura juvenil? E no ambiente escolar frequentado por esses jovens?

RA-155910- João
ResponderExcluirNo quinto paragrafo se fala sobre o interesse do Estado pelas instituições básicas, mas me pergunto se este interesse é apenas do Estado, no meu ponto de vista os grandes empresários tem mais lucro e e interesse no controle dessas instituições a fim de que sua superioridade financeira e de conhecimento cresça cada vez mais.
Diante disso lanço outra pergunta: O que é o Estado?
ExcluirRa: 116613
ResponderExcluirO texto no qual a postagem é baseado sintetiza muito bem o que ocorre nos dias de hoje, tudo é efêmero, instantâneo e descartável, as pessoas não se preocupam mais com as coisas a longo prazo.
Pensando no ambiente escolar e na cultura juvenil, isso é um ponto que afeta e muito os jovens, pois essa é uma fase em que eles se interessam muito mais pelo que está fora da sala de aula do que pelo que está dentro dela, por ser um momento de descoberta de novos universos. Com a rapidez da troca de informações e a maior circulação de mercadorias a uma velocidade maior, tudo se torna instável e volátil, levando a uma mudança na forma de aprendizado destes jovens.
154471
ResponderExcluirApesar de esse texto parecer ter sido feito a várias mãos, posso dizer que foi interessante a maneira como escreveram a respeito das mudanças ocorridas na economia e nas relações sociais decorrentes das inovações tecnológicas e organizacionais.
Entretanto, creio ser contraditório afirmar que o sujeito atua ativamente na sociedade, mas é manipulado pelos formadores de opinião e valores. Entendo que poderiam ser comparados a uma marionete das vontades de quem manda, ou seja, seria sujeito passivo de uma ação.
Numa tentativa de responder seus questionamentos, compreendo que a acumulação flexível e a massa cultural têm relevante papel nos estilos de vida dos jovens, na medida em que eles sentem a necessidade de consumir determinados bens e serviços para sentirem-se pertencentes a um grupo. E esses produtos culturais são descartáveis e há um processo contínuo de torná-los obsoletos, portanto, são efêmeros.
Quanto ao ambiente escolar, pode-se dizer que existe uma tendência em valorizar a fragmentação dos conhecimentos e a capacidade de memorização. Desse modo, o ensino não é contextualizado, por isso, os estudantes não conseguem compreender a validade de aprender diversos conceitos fragmentados para sua vida. Enfim, pode-se comparar a educação com a linha de montagem, em que o empregado só sabe o que ele faz e não imagina qual o produto/bem que está fabricando.
Acredito que no ambiente escolar podemos perceber essa influência do capitalismo principalmente nas relações de aprendizagens, por exemplo, os alunos de ensino médio são expostos a tantos conteúdos/informações que, na sua teoria, deveriam ser aprendidos, mas que na realidade, acabam só sendo úteis em dias de prova... Outra questão que também pode ser percebida no ambiente escolar, é o fato de que muitas escolas são basicamente uma fábrica de mão de obra para a sociedade onde os alunos são "moldados" para desempenhar alguma função na sociedade assim que sair do ensino básico.
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